Zudizilla lança “Carne Dura”, single que explora novas formas de falar sobre autoestima

Redação The Music Mix ·

A faixa marca uma fase de experimentação sonora e reafirma o discurso racial do artista com abordagem mais sutil e sofisticada

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Foto: Divulgação

Zudizilla lança, no dia 2 de julho, o single “Carne Dura”, novo trabalho que aprofunda sua pesquisa estética e amplia os caminhos de sua obra. A faixa nasce como um desdobramento natural do momento iniciado após o EP “Le Fauve” e apresenta um artista ainda mais interessado em tensionar forma, conteúdo e linguagem dentro do rap. 

Inspirada em uma frase de Elen Oléria — “conhece a carne fraca? Eu sou do tipo carne dura” —, a música se constrói como um manifesto sobre autoestima, resistência e presença. “Carne Dura” nasce em um momento de transição criativa, quando o rapper gaúcho se aprofunda também na produção musical como extensão de sua linguagem artística.

“Ela surge dessa ideia de autoestima, tem a ver com essa afirmação de ser firme dentro de um cenário que muitas vezes tenta te enfraquecer. Eu comecei essa música num período em que estava estudando uma MPC nova, já pensando em ter mais domínio sobre as produções do meu próximo disco. Tenho buscado um outro viés de manter esse discurso, pra não me tornar um MC repetitivo. ‘Carne Dura’ surge dessa experimentação”, conta. 

Uma sonoridade com expectativas

Musicalmente, o single caminha por territórios que expandem o rap tradicional, dialogando com jazz, boombap, trip hop e outras atmosferas mais sutis e texturizadas. Essa escolha sonora cria um contraste direto com o conteúdo da faixa: enquanto o instrumental sugere leveza, a letra carrega densidade e enfrentamento.

“O domínio da poética e da produção são muito genuínos das minhas vontades e também muito opostos ao que se desenha pra alguém do meu gênero musical. É um instrumental mais leve, que pode indicar uma poesia mais sutil, mas não. E a letra, mesmo sendo subjetiva, é combativa”, explica.

Sem participações, “Carne Dura” concentra toda sua força na construção autoral de Zudizilla, que reafirma o controle sobre sua narrativa tanto na escrita, quanto na produção. O lançamento também se conecta a um campo mais amplo de expressão, onde música, estética e comportamento caminham juntos. Um dos desdobramentos visuais da faixa nasce de sua relação com a moda, em especial a alta costura e o dandismo como ferramentas históricas de inserção e afirmação social.

Se em trabalhos anteriores Zudizilla construiu uma obra marcada por reflexões raciais diretas e estruturais, agora esse discurso ganha novas camadas: mais subjetivas, mas não menos políticas. O resultado é uma música que não busca respostas fáceis, mas propõe deslocamentos: na escuta, na forma e na maneira como o rap pode se posicionar dentro do presente.

Sobre Zudizilla

Nas rimas de Zudizilla cabe o mundo. Nascido em Pelotas (RS), o rapper abre portas e rumos a cada nova produção arrojada e organicamente conectada às principais tendências sonoras do momento. Zudizilla flerta com o jazz e a cultura hip hop em um misto de referências e ideais da música popular brasileira, acentuando de modo preciso sua obra com o aqui e agora, ainda que, para sua caneta, noções como passado, presente e futuro caibam todas num mesmo verso. 

Além da música, o artista sempre traz um olhar afiado aos seus projetos com diversas referências audiovisuais que personificam imageticamente suas rimas e canetadas. Zudizilla lançou mixtape, dois EPs e cinco discos, trazendo sempre curtas-metragens ligados à obra. Ao longo de quatro anos, a trilogia “Zulu” foi um projeto de grande destaque em sua carreira. 

“Zulu Vol. 1: De Onde Eu Possa Alcançar o Céu Sem Deixar o Chão” (2019) é o pontapé para a reflexão racial sobre como o artista se encontra nessa luta em seus lugares de casa: Porto Alegre e São Paulo. Em 2022, “Zulu Vol 2: De César a Cristo” chegou às plataformas e ao Youtube com dois curtas vinculados. Em 2023 – ano em que recebeu o prêmio de Melhor Disco de 2022 pelo Prêmio Rap Brasil – encerra o projeto com o “Zulu Vol. 3: Quarta Parede”, que também conta com a mescla de música e cinema. 

Em novembro de 2024, Zudizilla deu início à travessia de um caminho que tem como foco suas habilidades de produção musical. O lançamento do EP “Le Fauve”, assim como em uma vitrine, apresenta uma amostra das novas sonoridades que o artista pretende explorar após o encerramento da trilogia, carregando texturas, compassos e ritmos que traduzem o novo momento de sua carreira. Inspirado por elementos do Expressionismo e navegando pelo R&B, o projeto traz a colaboração de artistas como Soul Diggin, 808 Luke, B.Artz e Dcazz.

Multifacetado, para além da música, Zudizilla aprofundou sua relação com a moda na coleção “A VIDA ESTÁ NA ÁGUA”, parceria com a Ciclo Arte inspirada no álbum “Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água Deluxe” de Luedji Luna. Lançada em janeiro de 2024, a collab traz panôs, shorts, hot pants e t-shirts que mesclam inspirações oitentistas e atuais, referenciando as canções que compõem o disco. Reconhecido por nomes como Dod Alfaiataria – marca que o artista veste na capa de “Zulu Vol. 3: Quarta Parede” – Zudizilla entende que esse universo é um atalho para compreender culturas e evidenciar tradições, buscando fugir de um sistema que cada vez mais reprime personalidades e nos torna homogêneos.

Entre as parcerias de destaque, Zudizilla já lançou com grandes nomes como Luedji Luna, Emicida, Jonathan Ferr, Melly, Tuyo e o duo YOÙN. Em 2025, o rapper subiu pela primeira vez ao palco do Lollapalooza, levando um público engajado e entusiasmado a conhecer o universo denso do jazz mesclado ao hip hop, além de suas habilidades enquanto letrista do rap mais clássico.

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Capa do single “Carne Dura”

Ficha Técnica

Produção Zudizilla 
Mix e Master: 808Luke 

Fonte: Omim Comunicação – Foto: Divulgação