Balaclava Fest 2026 celebra maratona histórica de indie e shoegaze em São Paulo

Balaclava Fest 2026 celebra maratona histórica de indie e shoegaze em São Paulo

Marcello Fim ·

Com cobertura do The Music Mix, 16ª edição ocupou o Tokio Marine Hall em dois dias de shows memoráveis e sem conflitos de horários

O fim de semana nos palcos do Tokio Marine Hall foi de pura celebração para a música alternativa. O Balaclava Fest 2026 entregou sua maior edição até aqui, reunindo 16 atrações divididas entre o sábado (26) e o domingo (27). Com a divisão entre o Palco Hall e o Palco Balaclava e um formato dinâmico que permitiu ao público acompanhar todos os shows sem perder nada, o evento consolidou a relevância do selo e produtora paulistana no cenário nacional e internacional.

O The Music Mix acompanhou a maratona do início ao fim. Confira a sequência completa dos shows, os horários e o resumo de cada apresentação do fim de semana.

Sábado (26 de Setembro) – Dia 1

1. Pedro Mizutani (15h40 – Palco Hall): O músico carioca abriu o festival com maestria. Ele levou ao palco a mistura intimista e charmosa de bossa nova moderna, pop lo-fi e indie rock presente em seu elogiado álbum de estreia, NOVA BOSSA: aquele abraço aos ratos vivos.

2. Bar Italia (16h20 – Palco Balaclava): Um dos shows mais aguardadas após o cancelamento em 2024, o trio britânico entregou uma performance marcada por seu rock torto, minimalista e imprevisível. Com repertório renovado pelo álbum Some Like It Hot (2025), com uma energia visceral e angular típica dos anos 90.

3. Wishy (17h20 – Palco Hall): Os norte-americanos embalaram o final da tarde em guitarras carregadas de shoegaze e fortes melodias pop. O show passeou pela nostalgia da virada dos anos 90 para os 2000, antecipando faixas do aguardado disco Nature’s Pill.

4. Pedro The Lion (18h00 – Palco Balaclava): Em sua primeira vinda ao Brasil, o projeto de David Bazan colocou o slowcore, a melancolia e o caráter confessional no centro das atenções. O show emocionou veteranos ao passear de forma íntima por toda a discografia da banda. Histórico!

5. Ludovic (19h00 – Palco Hall): Jogando em casa, os paulistanos arrastaram uma multidão enérgica para celebrar o retorno aos palcos com o novo disco autointitulado, quebrando um hiato de 20 anos. O público respondeu em pura catarse e letras gritadas de volta, temperado pelo habitual discurso social e urgente do vocalista Jair Naves.

6. Dry Cleaning (19h40 – Palco Balaclava): O quarteto inglês hipnotizou o Tokio Marine Hall com sua fusão particular de art rock, pós-punk e o característico spoken word (vocal falado) da frontwoman Florence Shaw. Sua forte e estática presença cênica contrastou de forma magnética com as linhas angulares de baixo e guitarra. Um dos pontos altos do primeiro dia do festival.

7. Sharp Pins (20h50 – Palco Hall): O projeto lo-fi comandado por Kai Slater trouxe leveza e charme ao Palco Hall. Apostando forte em melodias ensolaradas e nostálgicas que pareciam saídas direto do underground das décadas passadas, o show fez o público dançar e cantar junto.

8. Blonde Redhead (21h40 – Palco Balaclava): A grande headliner do sábado encerrou o primeiro dia justificando seu status cult com mais de três décadas de estrada. O trio nova-iorquino teceu uma apresentação impecável, equilibrando texturas etéreas de shoegaze, dream pop e experimentações artísticas que lavaram a alma do festival, fechando o primeiro dia do Balaclava Fest com brilhantismo.

Domingo (27 de Setembro) – Dia 2

1. Budang (15h40 – Palco Hall): A banda catarinense abriu os trabalhos do domingo com uma descarga de energia pura. Misturando punk, noise rock e letras ácidas, o grupo esquentou a pista logo cedo e provou a força da nova safra do rock independente nacional.

2. High Vis (16h20 – Palco Balaclava): Os britânicos entregaram um dos shows mais viscerais de todo o festival. Com sua fusão magnética de hardcore punk agressivo e melodias marcantes do britpop, a banda transformou a pista em um imenso mosh pit, combinando fúria com um forte senso de comunidade. Um show marcante e possivelmente um dos melhores do festival.

3. Adorável Clichê (17h20 – Palco Hall): Representando muito bem o selo Balaclava, o grupo catarinense envolveu o público em uma atmosfera nostálgica e confessional. O show foi guiado por guitarras espessas de shoegaze e melodias emotivas de dream pop, criando um momento de conexão profunda com a plateia.

4. Wednesday (18h00 – Palco Balaclava): Uma das apresentações mais aclamadas do dia, o grupo norte-americano fez sua estreia no país mostrando por que é um dos maiores nomes do indie atual. Eles entregaram um som pesado e emocionante que transita perfeitamente entre o indie rock barulhento e o alt-country, marcado pelos vocais rasgados de Karly Hartzman.

5. Winona Riders (19h00 – Palco Hall): Os argentinos trouxeram um clima denso e psicodélico para o Palco Hall. Com longas seções instrumentais, guitarras cheias de fuzz e uma forte pegada space rock, a banda hipnotizou quem estava presente e confirmou a excelente fase do rock alternativo da América Latina.

6. Beach Fossils (19h40 – Palco Balaclava): Velhos conhecidos do público brasileiro, os nova-iorquinos fizeram um show em clima de celebração. Com suas linhas de baixo pulsantes, guitarras indie pop ensolaradas e estética jangle/surf rock, a banda transformou o Tokio Marine Hall em uma grande festa dançante e cantada em coro.

7. Sudan Archives (20h50 – Palco Hall): Brittney Parks dominou o palco de forma brilhante e inovadora. Misturando violino elétrico tocado de forma vanguardista, batidas eletrônicas pesadas, R&B e influências da música experimental africana, ela entregou uma performance performática, dançante e visualmente impactante.

8. DIIV (21h40 – Palco Balaclava): A banda nova-iorquina no Brasil encerrou o festival em clima de catarse. Focando no aclamado álbum Frog in Boiling Water (2024) e em músicas do seu próximo lançamento ZIRP! (que sai em 30 de outubro), mas sem deixar de fora os clássicos de sua discografia, o quarteto envolveu o público em uma parede de som impecável com suas texturas de shoegaze e pós-punk etéreo, coroando a maior edição da história do Balaclava Fest.

Texto e Fotos: Marcello Fim/The Music Mix