C6 no Rock celebra quatro décadas do rock nacional com maratona histórica em São Paulo

C6 no Rock celebra quatro décadas do rock nacional com maratona histórica em São Paulo

Marcello Fim ·

Com cobertura do The Music Mix, evento reviveu álbuns clássicos de 1986 e entregou tributos emocionantes a Rita Lee e Cazuza.

Foram dois dias de pura celebração à memória e ao vigor do rock e pop nacional no Parque Ibirapuera. O festival C6 no Rock tomou conta do fim de semana em São Paulo com uma proposta marcante: celebrar os 40 anos de discos divisores de águas lançados predominantemente em 1986, além de homenagear ícones imortais da nossa música.

Com uma produção impecável que já se tornou o grande carimbo dos eventos com a assinatura C6, o festival provou a força do seu formato. Se a curadoria mantiver este nível de excelência para as próximas edições — a exemplo do que já realiza no C6 Fest —, o público pode esperar uma vida longa e surpreendente para o projeto, dada a infinidade de obras emblemáticas do nosso repertório.

O The Music Mix acompanhou a maratona do início ao fim. Confira a cobertura detalhada de cada dia, as setlists completas e as fotos dos shows.

SÁBADO (22 DE AGOSTO)

O primeiro dia foi marcado pela execução na íntegra de trabalhos lendários do rock oitentista e por uma grande celebração coletiva à obra de Rita Lee.

1. Plebe Rude (O Concreto Já Rachou) – Abrindo os trabalhos, Clemente assumiu os vocais nas três primeiras canções para depois integrar as guitarras. A banda celebrou os 40 anos de seu antológico disco de estreia (de apenas 7 faixas), emendando clássicos e citações diretas a Os Paralamas do Sucesso e Inocentes.

  • Setlist: Johnny Vai à Guerra (Outra Vez), Brasília, Sexo e Karatê, Seu Jogo, Censura, Este Ano, A Ida, Pressão Social, Minha Renda, Proteção (com trechos de “Selvagem”, “Pátria Amada” e “Censura”), Até Quando Esperar.

2. Paulo Ricardo (Rádio Pirata Ao Vivo) – Desfilando o repertório de um dos álbuns mais vendidos da história do país, Paulo Ricardo entregou uma performance enérgica repleta de hits do RPM. Antes de cantar “London, London”, ressaltou que a obra de Caetano Veloso foi uma das grandes responsáveis pela existência do disco. O cantor ainda prestou uma emocionante homenagem a Renato Russo durante “A Cruz e a Espada”, faixa composta por ambos.

  • Setlist: Revoluções por Minuto, Alvorada Voraz, Louras Geladas, Estação do Inferno, A Cruz e a Espada, Sob a Luz do Sol, Pr’esse Vício, Juvenília, Liberdade / Guerra Fria, London, London, Flores Astrais, Naja, A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade, Olhar 43, Rádio Pirata.

3. Titãs (Cabeça Dinossauro) – A urgência e a fúria punk do Cabeça Dinossauro tomaram o palco em uma sequência arrebatadora de clássicos que continuam extremamente atuais, encerrando com o hino “Flores”.

  • Setlist: Cabeça Dinossauro, AA UU, Igreja, Polícia, Estado Violência, A Face do Destruidor, Porrada, Tô Cansado, Bichos Escrotos, Família, Homem Primata, Dívidas, O quê, Flores.

4. Os Paralamas do Sucesso (Selvagem?) – Com o groove inconfundível que misturou rock, reggae e ritmos brasileiros em 1986, Os Paralamas colocaram o público para dançar do início ao fim, estendendo o repertório para os grandes hinos da carreira.

  • Setlist: Selvagem, Teerã, Você / Gostava Tanto de Você, Melô do Marinheiro, Marujo Dub, O Homem, A Dama e o Vagabundo, A Novidade, There’s a Party, Alagados, Lanterna dos Afogados, Aonde Quer que eu Vá, O Beco, Uma Brasileira, Lourinha Bombril, Óculos, Meu Erro.

5. Homenagem a Rita Lee (“Meu Sonho é Ser Imortal”) – Sob o comando de Beto Lee e acompanhado por um time de vozes femininas de peso (Alice Caymmi, Baby do Brasil, Catto, Fernanda Abreu, Letrux, Marina Sena, Miranda Kassin e Sandra de Sá), o tributo foi um dos momentos mais bonitos da noite. O destaque ficou para Marina Sena, que entregou performances impecáveis e cheias de emoção, chegando a se comover no palco durante “Amor e Sexo”.

  • Setlist: Saúde (Fernanda Abreu), Flagra (Alice Caymmi), Nem luxo, nem lixo (Sandra de Sá), Doce vampiro (Marina Sena), Ando meio desligado / Caso sério (Baby do Brasil), Mamãe natureza (Fernanda Abreu), Jardins da Babilônia (Baby do Brasil), Alô, alô marciano (Baby do Brasil), Coisas da vida (Catto), Amor e sexo (Marina Sena), Ovelha negra (Alice Caymmi & Catto), On the Rocks (Catto), Luz del fuego (Letrux), Ôrra meu (Sandra de Sá), Esse tal de Roque Enrow (Miranda Kassin), Todas as mulheres do mundo (Miranda Kassin), Vírus do amor (Letrux), Banho de espuma / Chega mais (Letrux), Agora só falta você (Fernanda Abreu & Alice Caymmi), Papai me empresta o carro, Lança perfume (Todas juntas).

GALERIA DE FOTOS — DIA 1

DOMINGO (23 DE AGOSTO)

No segundo dia, a nostalgia deu lugar à pura energia com encontros geracionais e tributos à poesia transgressora do rock nacional.

1. Ira! (Vivendo e Não Aprendendo) – Abertura impecável com a execução na íntegra de um dos álbuns mais cultuados do post-punk/mod brasileiro, alguns hits inesquecíveis de outros álbuns e finalizando com o hino “Núcleo Base”.

  • Setlist: Envelheço na Cidade, Casa De Papel, Dias de Luta, Tanto Quanto Eu, Vitrine Viva, Flores em Você, Quinze Anos, Nas Ruas, Gritos Na Multidão, Tarde Vazia, Flerte Fatal, Rubro Zorro, Eu Quero Sempre Mais, Núcleo Base.

2. Blitz & Fernanda Abreu (As Aventuras da Blitz) – A teatralidade e o frescor pop da Blitz contaram com o reforço luxuoso de Fernanda Abreu em uma apresentação leve, divertida e repleta de coros da plateia.

  • Setlist: Vai, Vai Love, Vítima do Amor, O Beijo da Mulher Aranha, Volta ao Mundo, O Romance da Universitária Otária, Aventuras Submarinas, Totalmente em Prantos, Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues, Ela Quer Morar Comigo na Lua, Geme Geme / País Tropical, Weekend, Betty Frígida, A Dois Passos do Paraíso / One Love, Você Não Soube Me Amar.

3. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (Dois – Legião Urbana) – Liderados pela guitarra de Dado, a bateria de Bonfá e a interpretação visceral e performática do vocalista André Frateschi, o show resgatou toda a carga poética do segundo disco da Legião Urbana.

  • Setlist: Daniel na Cova dos Leões, Quase Sem Querer, Acrilic on Canvas, Eduardo e Mônica, Tempo Perdido, Metrópole, Plantas Embaixo do Aquário, Música Urbana 2, Andrea Doria, Fábrica, Índios, Há Tempos, Pais e Filhos.

4. Marina Lima, Lobão e Liminha (Fullgás) – Um encontro histórico no palco. Marina Lima celebrou a sofisticação do álbum Fullgás ao lado do produtor Liminha e dividiu o microfone com Lobão, entregando surpresas no bis como versos de “Billie Jean” mesclados à faixa-título e uma versão de “Ainda é Cedo”.

  • Setlist: Fullgás (com Liminha), Pé na tábua, Pra sempre e mais um dia, Ensaios de amor, Mesmo que seja eu, Me chama (com Lobão), Mesmo se o vento levou, Cicero e Marina, Veneno, Mais uma vez, Nosso estilo (com Lobão). Bis: Billie Jean / Fullgás (com Liminha), Ainda é cedo (com Lobão), Uma noite e 1/2 (com Laura Diaz).

5. Homenagem a Cazuza (“Todo Amor que Houver Nessa Vida”) – Fechando o festival com chave de ouro, Arnaldo Antunes, Frejat, Johnny Hooker, Leo Jaime, Leoni, Lobão e Maria Gadú se alternaram no palco para celebrar o legado do Poeta Exagerado. O encerramento com todos juntos cantando “Brasil” lavou a alma do público presente.

  • Setlist: O tempo não para / Malandragem (Arnaldo Antunes), Vida louca vida / Ideologia (Lobão), O nosso amor a gente inventa / Quase um segundo / Codinome beija-flor (Maria Gadú & Johnny Hooker), Por que a gente é assim? / Bete Balanço (Johnny Hooker & Léo Jaime), Maior abandonado / Preciso dizer que te amo (Leo Jaime), Exagerado / Solidão que nada (Leoni), Blues da piedade / Todo amor que houver nessa vida (Frejat), Brasil (Todos).

GALERIA DE FOTOS — DIA 2

Cobrir dois dias intensos de C6 no Rock reitera a importância de preservar e celebrar a memória da música brasileira. Ver álbuns fundamentais de 1986 reproduzidos na íntegra por seus criadores, somados ao respeito e frescor de tributos dedicados a Rita Lee e Cazuza, mostra que o rock nacional segue vivo, pulsante e extremamente necessário.

Texto e Fotos: Marcello Fim/The Music Mix